Denuncia de racismo contra músico cubano em Shopping de São Paulo!!!

5

Terça, 08 de fevereiro de 2011

A proposta do El guia latino sempre foi a de divulgar a cultura latina, mas também foi a de zelar pelo bem- estar de nossa comunidade.

Hoje recebemos uma ligação do músico cubano Pedro Bandera que foi vitima de racismo no shopping Cidade Jardim, a continuação a carta que explica os fatos, os quais condenamos com profunda indignação.

Somos estrangeiros SIM!  mas ante tudo somos seres humanos e todo ser  humano independentemente de raça, cor, ideologia ou opção sexual, merece respeito.

Ives Berger

Diretor do site El Guia Latino

Carta enviada pelo músico cubano Pedro Bandera

Sou músico, negro, formado em pedagogia em Cuba, país onde nasci. Vim para o Brasil há 6 anos para fazer um curso de pós-graduação na Universidade Federal de Salvador. Atualmente moro em São Paulo, onde atuo como percussionista e professor de música, trabalhando com diversos artistas como Pepeu Gomes, André Jung, Edgar Scandurra, Luísa Maita, Karina Buhr, Marina de La Riva, João Gordo, entre outros. Escolhi o Brasil para meu aprimoramento profissional e, em especial, a cidade São Paulo por ser uma metrópole aberta à diversidade e caracterizada pela multiculturalidade.

No dia 28 de agosto de 2010 fui vítima de um episódio racista por parte de seguranças do shopping Cidade Jardim, no momento que me dirigia a Livraria da Vila para fazer um show de apresentação do DVD da cantora Marina de La Riva. Na ocasião, enquanto me dirigia à livraria dois seguranças da instituição vieram ao meu encontro de maneira hostil, agressiva. Um deles falou que eu não poderia entrar sem me explicar o motivo de tal restrição.
Expliquei o motivo da minha presença no local e mesmo assim ele questionou e, apontando para mim, ainda que tentando ser discreto, comentou com o outro:

– Estão suspeitando desse indivíduo porque ele está falando que veio fazer um show, mas anda de táxi e ninguém viu seus instrumentos!
Diante desse comentário, solicitei a presença de um responsável ou de algum superior dele e recebi a seguinte resposta, que reproduzo palavra por palavra:

– Você é estrangeiro e não sabe que este shopping foi assaltado duas vezes? Quem te mandou entrar, quem te autorizou a entrar?

Nesse meio tempo, consegui me comunicar com um dos músicos da banda, que desceu ao meu auxílio. No momento da chegada dele, já tínhamos saído do interior do prédio e nos encontrávamos no estacionamento diante do táxi, onde eu, indignado, disse:

– Olha vocês que falaram que ninguém viu meus instrumentos, eles estão aqui! – tirando-os do táxi.
Mesmo assim, eles continuaram argumentando que eu não podia entrar. Depois da intervenção da produtora da banda, do pessoal da livraria e dos músicos, entrei e se fez a apresentação. Indignado com o que vivi, reportei o fato à administração do shopping dois dias depois. Não obtive uma resposta à altura do ocorrido. Diante disso, resolvi comunicar o fato às autoridades competentes, formalizando a denúncia como crime de racismo.

Você tem voz:
Tão importante quanto denunciar o fato, as pessoas que se sentem discriminadas ou vítimas de preconceito devem saber que existem instituições onde podem fazer este tipo de denúncia. Ali serão escutadas orientadas e receberão assessoria legal.

Veja abaixo uma relação das instituições que trabalham no combate de qualquer tipo e forma de descriminação, intolerância e preconceito, contra qualquer tipo de grupo social, sem distinção de SEXO ou COR de pele:

CEERT – Centro de Estudo de Relações de Trabalho e Desigualdades (para causas coletivas) DECRADI – Delegacia Especializada em Crimes Raciais e de Intolerância GELEDE – Defesa das Mulheres contra todo tipo de Preconceito e Sexismo.
181- S. O. S – Disque Racismo, Assembleia Legislativa São Paulo.

Pedro Damian Bandera Izquierdo
Telefone: 9220-2757
E-mail: banderabata@yahoo.com.br

Advogado: Daniel Teixeira
Telefone: 8356-5846
E-mail: danielceert@uol.com.br

São Paulo, fevereiro 2011.