sexta, 25 de abril de 2014

RSS

Revelações da irmã de Fidel Castro em livro, já nas livrarias de SP

Terça, 19 de abril de 2011


Neste instigante livro de memórias, “Fidel e Raúl, meus irmãos – a história secreta”, Juanita Castro
traz o relato da vida em família e dos acontecimentos que mudaram para sempre a história da
América Latina. E faz uma revelação surpreendente: foi colaboradora da CIA.

Como era Fidel Castro em família? Como foi planejada uma das mais marcantes revoluções do Século XX? E como um homem que se dizia anticomunista na juventude transformou seu país na maior ditadura de esquerda depois da União Soviética? Em Fidel e Raúl, meus irmãos – a história secreta, Juanita Castro expõe com impressionante riqueza de detalhes os bastidores da revolução cubana e o lado humano de seus dois irmãos que governam Cuba com braço de ferro há mais de 50 anos.

Em forma de depoimento, concedido à jornalista María Antonieta Collins, Juanita conta em ordem cronológica toda a história da família Castro. Suas lembranças da infância são de uma família unida, um lar preenchido de alegria pelos sete filhos gerados por um casal que não media esforços para lhes oferecer educação e bem-estar. Embora muito apegada a Raúl, Juanita dava-se bem com todos os irmãos, incluindo Fidel, descrito, porém, como alguém impassível, incapaz de derramar uma lágrima pela morte da mãe.

Juanita participou ativamente da revolução cubana, que derrubou a ditadura de Fulgencio Batista em 1959. Naquela época, entre idas e vindas entre Cuba e Miami, exilou-se na embaixada brasileira em Havana em setembro de 1958, já que as autoridades cubanas sabiam de sua participação no movimento. A embaixada a recebeu como asilada política e dali saiu em 2 de janeiro de 1959, quando o país já estava sob o comando dos revolucionários, liderados por seu irmão. Assim, tornou-se muito amiga de Vasco Leitão da Cunha, embaixador brasileiro, e de sua mulher, Virgínia.

Na obra, ela deixa clara sua antipatia por Che Guevara desde o primeiro encontro. De acordo com seu relato, ele não hesitava em mandar para o paredão partidários de Batista, não importava qual participação tivessem tido na Ditadura anterior, incluindo soldados que cumpriam ordens.

Gradualmente, Juanita foi amealhando inimigos no governo cubano, incluindo ministros de Fidel. “Na verdade, nunca soube em que momento cruzei a linha entre estar a favor e contra o regime, porque sempre abominei as injustiças. Baseada nisso foi que comecei ajudando os batistianos em desgraça, para depois ajudar os revolucionários que haviam caído em desgraça também”. Para isso, alugou uma casa em Havana sem que ninguém de sua família, soubesse das atividades. Durante quatro anos, chegou a esconder pessoas e conseguia passaportes para que os dissidentes pudessem fugir do país.

Entre os fatos que mobilizaram a atenção do mundo, ela dá detalhes da frustrada invasão comandada por seus irmãos a Cuba, contra o regime de Fulgência Batista, em 1956, a partir do México. Sobre a crise dos mísseis, instalados em algumas cidades cubanas para serem jogados sobre os Estados Unidos, em 1961, Juanita afirma que o acerto de retirada dos foguetes, tratada entre John F. Kennedy e Nikita Khrushchev, presidentes norte-americano e russo, deixou Fidel indignado, pois não fora consultado por quem considerava seu grande sócio, a União Soviética.

É logo após o frustrado episódio da Baía dos Porcos, do qual Juanita dá detalhes, que ela recebe, por intermédio de Virgínia Leitão da Cunha, sua mais delicada missão de vida: trabalhar para a CIA. A fuga definitiva de Cuba deu-se em junho de 1964, alguns meses após a morte da mãe. Suas atividades clandestinas eram conhecidas por todos, mas Raúl e Fidel haviam feito uma espécie de vista grossa por causa de sua mãe. Sem a presença dela, a possibilidade de um “acidente” era iminente, e Juanita tomou a decisão de deixar seu país para, até agora, nunca mais voltar. A saída foi facilitada por Raúl, que havia sugerido um “descanso” no México. Ele não imaginava que nunca mais veria sua irmã, pelo menos até hoje, mais de 45 anos depois.

De lá, apoiada pela CIA, Juanita conseguiu residência nos Estados Unidos, para onde foi em 1965. A atividade para a agência norte-americana de inteligência durou poucos anos, até que os Estados Unidos mudaram sua posição em relação a Cuba para melhorar a relação com a União Soviética. Juanita então abriu uma farmácia, da qual continua a viver até hoje.

A autora
Mexicana, María Antonieta Collins é jornalista. Conheceu Juanita em Miami, onde mora desde 1979. Em mais de 35 anos de carreira ganhou vários prêmios. Trabalhou nas redes Univision, Televisa e Telemundo/NBC. Atualmente é colaboradora da Univision. Publicou outros sete livros de sucesso no México.

Conheceu Juanita na farmácia dela. Após ter sugerido várias vezes que Juanita escrevesse as memórias, foi surpreendida pelo pedido da amiga, para que ela fosse a autora. O livro ficou pronto em 1999, mas Juanita não quis publicá-lo e nem que o segredo fosse revelado. Dez anos depois, Juanita decidiu que era hora de publicá-lo. Para isso, foi preciso reescrevê-lo, já que após esse período Fidel, Cuba, Raúl, Juanita e o mundo tinham mudado.

Deixe seu comentário

You must be logged in to post a comment.

><((((°>17