Artigo: O Fenômeno da Timba (Cuba) por Emilia Pedra e Alexei Ramos

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Timba: a evolução da Salsa

Foto Eduardo Bitencourt

Música

A Timba é considerada por diversos músicos, a exemplo de Issac Delgado como “a evolução da Salsa” (vide documentário “Significado de la Timba cubana”). Ela é não só uma música, mas um movimento de resistência, de reafirmação da identidade cubana e das raízes africanas de diáspora. Ele nasce pela mudança natural presente em toda manifestação popular, mas também da necessidade de se opor ao movimento da “Salsa”, pois esse rótulo nunca foi bem aceito em Cuba, já que a música assim chamada nasceu em Cuba e já tinha seu nome – Son – com variantes como Son Montuno e Guaracha. Ao final da década de 70, a Timba começa a nascer historicamente, através das mudanças do ritmo Son, propostas por diversos músicos como Chucho Valdes (Orquesta Irakere), que tornaram as bases da música mais complexas, mais sincopadas e com muito mais influências de outros gêneros cubanos (rumba, palo, rezos Yorubás, etc), bem como de outros gêneros latino-americanos como plena, merengue e até mesmo o Samba.

Referência:

Dança

Enquanto dança, em Cuba, a dita “Salsa Cubana”, também tem seu nome: Casino. Essa forma de dança, que também é comumente realizada em grupo (Rueda de Casino) é uma variante do Son, que recebeu outras influências, assim como a música. Pode ser dançado “a tiempo” ou “a contratiempo”, diferente do Son que é dançado sempre a contratempo, pelo acento existente na música. Atualmente, como essa música vem sendo chamada de Timba, pessoas de todo o mundo, incluindo cubanos, vêm chamando a forma de dançar também por esse nome, provavelmente porque, da mesma forma que aconteceu com a música, se incorporou na dança os diversos elementos de outros estilos (Rumba, Palo, dança de Orishas, raggaeton, samba, merengue, hip-hop e outros), o que permite mais liberdade e promove maior quebra dos padrões tradicionais. Alguns pesquisadores dizem que essas misturas iniciaram na dança através dos bailarinos cubanos profissionais que, por sua formação bastante diversificada, desde o Ballet até o Afro cubano, passando pelas danças populares cubanas, começaram a mesclar tudo isso ao dançarem socialmente. O Fato é que, apesar de ainda existir alguma resistência a essas misturas, por parte de cubanos, a forte presença de excelentes profissionais de Cuba, principalmente na Europa, fez com que essa “nova” onda – música e dança – dominasse o mundo, superando até mesmo a forte “Salsa” (propagada pelos latinos nos EUA, e conhecida como Salsa NY e Salsa LA, ou chamados de Salsa Portorriquenha), que levou a salsa até o patamar de ritmo a dois mais dançado no mundo.

Referência:

 

(Vídeo gravado em Cuba, com a música Agua de Elito Revé y Su Charangon, que retrata bem as misturas dos diversos estilos que são usados atualmente para dançar a Timba)

Cenário mundial

O clima das noites latinas que dão preferência à música cubana, em espacial a Timba, se difere dos encontrados nas festas regadas pelas chamadas “Salsa de Nova York” ou “Salsa de Porto Rico”, pois reflete completamente a energia que se encontra em Cuba e no povo cubano, que é de pura festa, alegria e como dizem os cubanos “guaperia” (termo usado em Cuba para se referir à curtição). As pessoas estão todo o tempo sorrindo e dançando, seja com alguém ou seja sozinhas. É possível notar nos ambientes latinos de todo o mundo a diferença no comportamento das pessoas, de acordo com a música do ambiente, pois é inegável que ela toca as pessoas, então músicas mais alegres, propiciam um ambiente alegre, músicas mais tristes promovem o oposto. No Brasil ainda temos poucas pessoas trabalhando para difundir a Timba, assim como essa forma de dançar mais livre dos padrões estéticos influenciados pelo do Ballroom Dance (Dança esportiva), que além de ser menos acessível à realidade da maioria da população, principalmente enquanto dança social, pouco se identifica com as manifestações populares Brasileiras e com seu povo, que tem sua origem africana muito marcante. Porém a procura vem crescendo, através do trabalho de difusão de bandas, Djs, organizadores de festas e alguns profissionais de dança pelo país.
Referência:

(Documentário em 03 partes, sobre a Timba Cubana, pela visão dos maiores nomes da música cubana mundial)