Cinzas da diva cubana Phedra D. Córdoba são lançadas no desfile do Baixo Augusta

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Foto: André Stefano/Divulgação

Por Miguel Arcanjo Prado, colunista do UOL

Cinzas da atriz transexual cubana e diva maior da praça Roosevelt Phedra D. Córdoba (1938-2016) foram lançadas sobre a multidão de 1 milhão de pessoas durante o desfile do bloco Acadêmicos do Baixo Augusta, em São Paulo, neste domingo (4). O Blog do Arcanjo do UOL acompanhou a homenagem.

Boa parte das cinzas da atriz já foram jogadas na praça Roosevelt, onde afirmava que gostaria de se tornar uma árvore, durante o festival Satyrianas de 2016, ano de sua morte, aos 77 anos, quando foi a grande homenageada do evento. Outra parte das cinzas está reservada para ser lançada em Havana, Cuba, terra natal da atriz.

As cinzas de Phedra também são lançadas pela atriz Márcia Dailyn, eleita pelo grupo para ocupar o posto de Diva da Praça Roosevelt, nas sessões do espetáculo “Pink Star”, atualmente em cartaz no Satyros e que faz referências à cubana no texto de Ivam Cabral e Rodolfo García Vázquez.

Lendária figura do teatro brasileiro e latino-americano, Phedra integrou o grupo Satyros. Fez peças como “Transex”, “Não Morrerás” e “Pessoas Sublimes”, seu último espetáculo com o qual esteve no palco até meses antes de sua morte, vítima de um agressivo câncer.

Phedra começou a carreira em Havana, Cuba, de onde fugiu ainda antes de Fidel Castro tomar o poder em 1959. Trabalhou como corista em vários países da América Latina, tendo passado pelos teatros da av. Corrientes, em Buenos Aires, antes de ser trazida para o Brasil por Walter Pinto, importante produtor do teatro de revista.

No Brasil, onde foi trabalhar no Teatro Rival, ela trocou seu nome Felipe D. Córdoba por Phedra D. Córdoba, assumindo a identidade feminina.

Phedra trabalhou em importantes casas de show da noite gay paulistana, como na lendária Medieval. No começo do século 21 foi convidada para entrar no grupo Satyros, onde ocupou o posto de diva absoluta até sua morte.

A ideia de jogar parte das cinzas de Phedra quando o trio do Satyros no Baixo Augusta passasse em frente ao cemitério da Consolação partiu de Márcia Dailyn, também atriz transexual, musa do Baixo Augusta e que herdou de Phedra o posto de Diva da praça Roosevelt.

Quando o trio do Satyros passou em frente ao cemitério da Consolação, os fundadores dos Satyros Ivam Cabral e Rodolfo García Vázquez, ao lado da nova diva Márcia Dailyn, atiraram as cinzas na direção do cemitério.

Também participaram da homenagem os atores Gustavo Ferreira, Maria Casadevall, Guttervil e Diego Ribeiro, além do ator e diretor argentino Juan Manuel Tellategui e Miguel Arcanjo Prado, respectivamente este dois últimos diretor e autor da peça inédita “Entrevista com Phedra”, cuja leitura celebrou a diva na Satyrianas de 2016 e com previsão de ser montada ainda neste ano.

Os atores do Satyros que estavam no trio também participaram, gritando o nome da diva.

Após a performance em homenagem a Phedra, os artistas do Satyros choraram copiosamente e gritaram sem parar o nome de Phedra, ao que os foliões, na rua, fizeram coro.

No desfile do Acadêmico do Baixo Augusta, o grupo Satyros celebrou a filósofa Judith Butler, teórica sobre o gênero, no quarto trio elétrico.

Com o tema É Proibido Proibir, o Baixo Augusta também prestou tributo ao Satyros. Alê Youssef, diretor do bloco, protestou contra o fato de a Prefeitura de São Paulo ter proibido o festival Satyrianas de realizar suas atividades na praça Roosevelt no ano passado. “A cidade é nossa”, bradou, lembrando que o Satyros e os grupos teatrais da Roosevelt foram responsáveis pela recuperação da praça, hoje ponto turístico e polo cultural paulistano.

Atores do grupo e convidados performaram com cartazes libertários e corpos livres aplaudidos pela multidão de 1 milhão de foliões no maior bloco de São Paulo.